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Escrito por JRMarques às 10:16:31 PM
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Uma página em branco é assustadora. O nada revolucionário; a idéia do vazio desafiador: um protesto mudo, contudo absolutamente lúcido. A lucidez do nada desprovido de vícios e anomalias. Não à mediocridade filosófica e ideológica! Não ao pensamento discricionário, pusilânime!

Utopia desvairada? Devaneio quixotesco? Precisamos, urgentemente, nos desvencilhar da desconfortável tendência do apego aos rótulos. A idéia de repensar as ações humanas fascina, mas, ao mesmo tempo, produz um temor brutal. Vivemos às voltas com sociedades em crise; com modelos econômicos burocráticos, ineficazes, anacrônicos. As relações humanas estão deterioradas, contaminadas pela intolerância étnica. A opulência, quando existe, é absoluta; a miséria, que sempre existe, também é absoluta: alimentamos, de maneira contumaz, modelos de interação falidos. Fracassou a retroação. Caminhamos, inexoravelmente, numa rota de colisão frontal com a entropia melancólica de nossos parcos valores existenciais.

Onde identificar a realidade? Nas suntuosas edificações arquitetônicas de grandes centros urbanos como Nova Iorque, ou no exíguo e minguado contexto material dos povos etíopes (Afares, Bodis, Konsos...); lugares ermos, distantes milhões de anos-luz de nossa egocêntrica percepção? Afinal de contas, o que é a realidade? Partindo do pressuposto de que o conceito de "realidade" pode ser definido como um conjunto de valores e eventos relacionados a preceitos socialmente aceitáveis; idealizados a partir da ótica ocidental dinheiro, automóveis, apartamentos, ilhas particulares, aviões particulares, vitórias, derrotas, etc. qual a participação, a importância do "lado obscuro do mundo" em toda essa história? Ou não existe realidade? Ou, quem sabe, a "realidade" está no "lado humílimo do mundo"?! A propósito, a quem pertence o planeta Terra? Quem o dividiu em territórios? Qual o lado certo; o lado errado do mundo? Quantos lados tem o mundo? Homo sapiens (mas, nem tanto), somos ávidos especialistas na exótica arte de fragmentar, de cultivar o sectarismo, de erguer fronteiras, de criar e defender símbolos, escudos e bandeiras. "O meu lado é o que deu certo, o que venceu, o politicamente correto. O seu lado é a escória; lixo, escroto". Decadência: conceito vigente. A palavra-chave. Talvez, ainda estejamos em plena idade da pedra; apenas escamoteados por uma tênue indumentária de pseudocivilidade.

Planejamos a revolução francesa; criamos todo o seu ideário com o propósito de substituir o modelo primitivo e subserviente do mundo medieval, outrora orientado basicamente pelas diretrizes do feudalismo. De fato, conseguimos apenas substituir senhores feudais e feudos por elites econômicas abastadas e os antigos vassalos por "escravos assalariados". Delimitamos o planeta em dois setores diametralmente opostos: os desenvolvidos e os subdesenvolvidos. Permitam-me, nesse ponto, um pequeno parêntese. Para distensionar o consequente e acirrado clima de disputas entre as nações, hoje, deparamo-nos com a criação do curioso conceito de países emergentes. O termo contraria, de maneira frontal, as leis da física. Emergentes? Num mundo em pleno processo de submersão? Pensando bem, assumir status de emergência sob tal contexto não deixa de ser um gesto de suprema rebeldia. Pois bem, as cabeças rolaram em vão. A guilhotina tornou-se um “artefato obsoleto”: peça de museu. Era preciso dar um passo adiante.

Heureca! Engendramos a revolução bolchevique. Portanto, abaixo o egoísmo patológico do mundo capitalista! Vamos dar "um basta" à busca desenfreada do acúmulo de riquezas! Não às injustiças sociais; à opressão do proletariado e do campesinato, impiedosamente, utilizados como massa de manobra! Abaixo a hipocrisia, a falsa moral disseminada pela igreja católica, orientando a sociedade burguesa: vamos nos livrar da "camisa de força" do sentimento de culpa, do remorso auto-indulgente e das mentiras históricas do catolicismo! Criemos uma sociedade mais justa e igual!

Chavões ideológicos à parte, a verdade é que as chamadas massas alienadas tornaram-se reféns de um cruel estado militarista e genocida, organizado e dirigido por uma elite tecnoburocrática totalmente desvinculada dos interesses do proletariado. As "massas" eram cada vez mais massas, cada vez mais alienadas e manobradas, cada vez mais aprisionadas; trancafiadas numa camisa de força ideológica.

Então, agora, abaixo o muro de Berlim! Vamos restituir a autonomia das antigas repúblicas russas! Derrubemos o império chinês, a "ditadura" cubana! Abaixo os regimes estatais burocráticos! Aniquilemos as culturas teocêntricas fundamentalistas! Combatamos feroz e inflexivelmente o terrorismo! Defendamos o direito à individualidade; à liberdade de expressão, o estado de direito, o mercado livre e a propriedade privada! A vitória é do capitalismo! É a nova ordem; a era da globalização econômica.

Absolutas falácias. O mundo tornou-se um grande conglomerado financeiro, industrial e comercial: o império das grandes corporações econômicas internacionais. A absorção do "menor" pelo "maior"; do "mais pobre" pelo "mais rico"; do "subdesenvolvido" pelo "desenvolvido". Uma mistura caótica de miséria absoluta e riqueza absoluta, imposição cultural e falta de identidade cultural. Uma salada indigesta, consolidando uma conjuntura social complexa, problemática, instável e convulsiva. Os nós da "camisa de força" estão mais apertados, e somos "nós" os agentes e receptores do processo deliberado de aprisionamento compulsivo.

Seguramente poderíamos ponderar que, de um lado, a revolução francesa não conseguiu substituir o “velho regime”, implantando o novo sistema sedimentado nos paradigmas do tripé “liberdade, igualdade e fraternidade”; e, de outro, nem tão pouco a revolução bolchevique logrou instaurar um novo modelo de relação entre capital e trabalho orientado pelo princípio de que todos devem “produzir de acordo com suas próprias capacidades e receber segundo suas próprias necessidades”, sistema em que operários e camponeses assumiriam o comando dos meios de produção.

E agora José? E agora Joseph? E agora Yoseph? E agora?! Que rumo devemos tomar? Inventaremos uma nova revolução; algum novo ismo? Ou permaneceremos imóveis e apáticos; apenas assistindo a derrocada final? Aparentemente o caos e a incerteza se implantaram; estão começando a criar sólidas raízes.

Historicamente nos esforçamos no sentido de produzir conhecimento a partir da reflexão e da análise de uma suposta "realidade" que nos cercava. Essa produção de conhecimento normalmente orientou-se pela busca da perfeição, empregando-se, para tanto, métodos racionais e lógicos pelo menos essa era a presunção. Ramos do conhecimento humano adquiriram status de ciência autônoma: sociologia, política, direito, etc. O pensamento positivista embasava; dava sustentação ideológica ao processo. A idéia básica era obter o controle, de tal sorte que as variáveis de um determinado evento pudessem ser razoavelmente administradas: pessoas, organizações, instituições, comunidades, povos, nações, etc. Contudo, tal metodologia tem demonstrado absoluta ineficácia. O caos e a incerteza, então, apresentam-se como elementos produtores de um novo tipo de conhecimento norteado pela rebeldia: nada representa obstáculo para "o nada"; nenhum "ismo" é capaz de controlar, subjugar ou ceifar a necessidade incontrolável de obtenção do conhecimento destituído de vícios idiossincráticos ou anomalias patológicas.

Sempre tivemos a impressão; a nítida sensação do rumo certo. Talvez agora, sob o jugo das incertezas decorrentes da falta de perspectivas, aceitemos o fato de que jamais estivemos, sequer, no início da trilha do tal "rumo certo". No futuro, para o nosso próprio benefício o mais breve possível, quem sabe consigamos desenvolver novos modelos de interação entre os diversos grupos antropológicos que compõem a espécie humana. Modelos que levem em conta indivíduos inseridos em comunidades, não isoladamente; que considerem a interação entre os seres vivos e o meio natural que garante sua sobrevivência; que respeitem as diferenças e busquem a igualdade. Precisamos aprimorar o conceito de desenvolvimento; desatrelá-lo do engessamento pragmático que o reduz à idéia do “bem-estar” material. Desenvolvimento deve ser sinônimo de bem-estar humano; estar inserido no contexto de bem-estar humano não significa tão somente ter um carro, uma casa, um emprego, etc. Sem dúvida pode significar parte disso, mas também, e sobretudo, deve representar acesso aos meios de produção de conhecimento que sejam capazes de transformar indivíduos passivos em seres completos e atuantes. Somente sociedades mantidas e organizadas por seres humanos solidários, completos e atuantes poderão evitar a derrocada final. Muito pior do que a destruição física do planeta será a manutenção da ordem atual: decadência sistêmica, gradativa e irreversível. Quanto a isso não tenho a menor sombra de dúvida.

 

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Escrito por JRMarques às 1:30:18 PM
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É curioso como determinados temas tornam-se de domínio público num dado momento e, no instante seguinte, são absolutamente esquecidos como se jamais tivessem constituído o item essencial das pautas midiáticas: as batalhas descomedidas pela conquista de audiência, pela venda de jornais e revistas; o negócio, a indústria da informação transformando, muitas vezes, temas de vital relevância em banalidades, mexericos diuturnos, assunto para os já tradicionais folhetins televisivos especializados na incrível arte do inepto e dantesco. É dessa maneira que temas essenciais, como globalização e aquecimento global, recebem tratamento idêntico ao do capítulo do dia da novela da moda ou de uma partida de futebol. Entre um copo de cerveja e uma porção de salaminho, a turba embevecida pela hipnótica emissão de raios catódicos (ou sinais digitais) saboreia os efeitos da globalização no mundo subdesenvolvido; deglute a iminência da aniquilação do planeta por “um tal de buraco na camada de ozônio”; e, no final do dia, no final das contas, acaba voltando para casa, sonolenta, letárgica, pronta para começar tudo de novo e consumir mais um inebriante modismo.

Há muito tempo, globalização deixou de ser o tema da moda; hoje, o mais politicamente correto, o mais sofisticado é falar sobre “aquecimento global”. Certamente todos já devem ter ouvido ou até mesmo pronunciado, exaustivamente, ambas as expressões. Contudo, tema exaurido ou tema vigente não representam lucidez, esclarecimento. De sorte que, descartar um assunto transformando outro em moda é tão ou mais nefasto e prejudicial quanto a mais absoluta alienação. Quando refletimos sobre o aquecimento global, direta ou indiretamente, estamos falando, também, sobre globalização; os temas são correlatos. A chamada revolução industrial, cerne do processo de globalização econômica, é, também, o âmago, a causa primeira da devastação do meio ambiente, e, por conseguinte, fator determinante das anomalias verificadas no efeito estufa e conseqüente aquecimento global. Percebe-se, portanto, a inexorável relação entre os temas. Porém, não cabe aqui aprofundamento acadêmico sobre tais questões. Interessa-nos examinar a quantas anda o Brasil dentro desse contexto.

A rodada de Doha, reeditada em Genebra, Suíça (21 de julho de 2008), é um exemplo cabal de como o país deve manter-se atento à questão da importância da consolidação do conceito de blocos econômicos. Criada em 2001, durante a quarta Conferência Ministerial da OMC, na cidade de Doha (Qatar), a série de negociações tem como suposto objetivo promover a liberalização do comércio mundial. Contudo, após 13 tentativas, em 7 anos de intensas negociações, o sentimento é de fracasso; a tal liberalização do comércio entre o “mundo desenvolvido” e o “mundo subdesenvolvido” não saiu do papel e, ao que tudo indica, jamais sairá. E não sairá porque, pelo visto, as principais lideranças do chamado Terceiro Mundo (países subdesenvolvidos ou emergentes) não desenvolveram a devida percepção de que não é possível negociar com aqueles que detêm a hegemonia econômica de forma isolada ou desarticulada. O Brasil, pela legítima liderança conquistada a partir do esforço de consolidação do Mercosul nos últimos anos – sobretudo com a extrema capacidade de composição e negociação do presidente Lula – passou a exercer, também, um papel preponderante nessas negociações. Entretanto, em Genebra, lamentavelmente cometemos um erro de apreciação estratégica sob a condução do ministro Celso Amorim. Ao tentar, de maneira desarticulada, negociar a questão das salvaguardas agrícolas com lideranças norte-americanas, Celso Amorim acabou causando um clima de desconforto e constrangimento entre seus pares do mundo subdesenvolvido. Não podemos, jamais, esquecer que o Brasil ainda é um país pobre e subdesenvolvido. Decerto o país cresce, mas a globalização econômica também; e cada vez mais feroz, com os mesmos paradigmas, com os mesmos propósitos espúrios: as grandes corporações econômicas internacionais e o chamado mundo desenvolvido sempre em absoluto primeiro plano. Quanto a esse aspecto, ninguém deve ter a menor sombra de dúvida. Portanto, qualquer negociação no âmbito do comércio internacional deve ocorrer impreterivelmente em bloco – por mais elementares que sejam as questões. É dessa maneira que agem os países desenvolvidos: em situações decisivas, alinhamento absoluto; nenhum integrante do chamado G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Rússia como convidada) jamais negociará unilateralmente, por exemplo, com o Brasil ou com a China.

Desse modo, se partíssemos do princípio de que hoje o mundo se divide, basicamente, em países desenvolvidos e subdesenvolvidos (lembrando que emergentes também são subdesenvolvidos), perceberíamos que o conceito de "globalização", desde suas mais importantes vertentes conceituais e filosóficas, apresenta lacunas estruturais de proporções incomensuráveis. Muitos levam em conta o pressuposto de que o "fenômeno" da globalização não passa de um evento de caráter exclusivamente econômico, sem nenhuma conotação ideológica. Sem dúvida, tal apreciação segue uma linha de raciocínio lógico procedente. Contudo, seus defensores esquecem de considerar um ponto tão óbvio quanto relevante: globalizar constitui, por outro lado, um processo econômico engendrado segundo padrões metodológicos e organizacionais concebidos no "epicentro" da cartilha neoliberal. Portanto, a conotação ideológica é “endêmica”, inelutável.

Por outro lado, se ao dissermos globalizar pretendermos, efetivamente, aludir a algum tipo de processo ou ciclo cuja finalidade principal constituiria na promoção de um intercâmbio comercial razoável e justo no mundo das corporações, proporcionando oportunidades equivalentes de progresso para grupos diferentes em diferentes partes do planeta, então estaremos nos referindo a qualquer lugar, menos ao bom e velho planeta Terra.

Como esperar que intercâmbios irrestritos de mercados – apreciando no mesmo patamar, por exemplo, grandes corporações multinacionais e empresas do Terceiro Mundo – venham a ser implementados com o devido sucesso? Como podemos imaginar que empresas genuinamente brasileiras tenham chances absolutamente iguais na concorrência direta com empresas norte-americanas, asiáticas ou européias? Considerando o modelo vigente de relacionamento entre os países, com a irresistível tendência à imposição das mais diversas formas de fronteiras – políticas, territoriais, culturais, filosóficas, ideológicas, étnicas –, tratar-se-iam, no mínimo, de elucubrações falaciosas tentativas de consubstanciar tais axiomas.

A globalização dos mercados, é sempre bom ressaltar, constitui um fato irreversível. Contudo, devemos manter em mente a necessidade imperiosa de produzir novos “insumos” e estímulos culturais; novas sementes de conhecimento desprovidas de vícios dialéticos, capazes de contribuir, de maneira decisiva, no sentido de arrefecer, de atenuar as barreiras que distanciam nações "desenvolvidas" de nações "subdesenvolvidas".

Do modo como a questão tem sido colocada, globalizar pode parecer apenas mais um desses planos estratégicos articulados pelas grandes economias com o objetivo de garantir mercados futuros, prevenindo-se contra supostas "ameaças" de grupos oriundos das chamadas economias "emergentes". O Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul), fortalecido e realmente implementado, surge nesse panorama como uma saída viável, objetivando garantir um maior e mais efetivo poder de barganha na hora do "corpo-a-corpo", no momento exato em que as ferozes contendas comerciais entre os países são impiedosamente travadas.

Devemos, também, ser bastante realistas em relação às demais zonas internacionais de "livre-comércio". O clássico exemplo do embate comercial ocorrido há alguns anos entre Brasil e Canadá – o suposto caso das "vacas loucas" –, ofereceu uma medida razoavelmente clara a respeito do modo como as economias do Cone Sul ainda são vistas e tratadas, no plano das relações comerciais e econômicas, pelo Primeiro Mundo. Sendo assim, alimentar expectativas otimistas de inserções tranqüilas de economias sul-americanas em organismos como o Nafta (North American Free Trade Agreement - Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) e ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), com efeito, constituiria um posicionamento um tanto inócuo e temerário (graças à política externa ousada, soberana e eficaz do governo Lula, pelo menos por enquanto estamos livres da ALCA, convém lembrar).

De fato, seria uma absoluta bobagem supor que governos norte-americanos (George Bush, Barack Obama, John McCaine – pouco importa) estariam dispostos a abdicar de sua histórica postura protecionista em favor do "bem-estar" das nações "terceiro-mundistas". Ou será que alguém acredita que organismos como Nafta, ALCA e CEE são criados com outros objetivos senão os de manter e consolidar a atual ordem geopolítica internacional? Ou será que alguém ainda acredita que globalização não é sinônimo de estratégia econômica e comercial sedimentada em paradigmas ideológicos neoliberais?

Quem lê jornais e revistas – filtrando, é óbvio –; quem se mantém atento às declarações de lideranças empresariais e políticas – nos planos interno e externo –; enfim, quem está vivo, respirando e pensando não corre o risco de embarcar nesse fantasmagórico "trem-da-alegria". É preciso, portanto, fugir do modismo dialético: a globalização está aí, a pleno vapor; aquecimento global não é moda, é fato; buraco na camada de ozônio não é um “nome” esquisito ou engraçado, pode ser a causa da destruição do planeta. O Brasil cresce, mas crescem, também, os interesses contrários ao nosso desenvolvimento. Portanto, a atenção tem que ser redobrada.

 

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Escrito por JRMarques às 4:50:10 PM
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Lembram-se da campanha eleitoral referente ao primeiro mandato do presidente Lula? Naquela época, inúmeras personalidades vieram a público assumindo posturas alarmistas e, em alguns casos, até um tanto “exóticas” (figuras “proeminentes”, celebridades tradicionais). Talvez, o notório exemplo da atriz Regina Duarte – então, a verdadeira “musa” do apocalipse! – seja o mais ilustrativo e cabal. A uma certa altura do acirrado debate, com a iminente vitória de Lula, eis que surge nas telinhas o rosto angelical e anacrônico da “ex-namoradinha do Brasil”, vociferando o mal augúrio: a fatídica chegada da “grande besta”, o “anticristo” que, certamente, levaria o país ao caos econômico e social, à bancarrota absoluta e sem retorno. De fato, a competente atriz perdera uma excelente oportunidade de aderir ao silêncio democrático. Contudo, madame Duarte não estava isolada. Sua voz integrava um grande e equivocado coro formado basicamente por adversários políticos, “grandes empresários”, banqueiros e latifundiários. Posteriormente, é claro, os fatos se incumbiriam de colocar por terra cada uma de todas aquelas lúgubres previsões.

Vejamos, então. Ao tomar posse, Lula se deparou com o seguinte cenário “presenteado” por Dom FHC: o chamado risco Brasil (risco-país – critério de aferição que reflete a percepção de segurança que os investidores externos têm em relação a um país) beirava o temerário patamar dos 2.500 pontos; a inflação estava fora de controle; a taxa de juros básicos chegara aos incríveis 26%; a política de câmbio flutuante, então vigente, tornara-se ambígua, com o dólar se aproximando à casa dos 5 (cinco) reais. Ora, aí estava o tão propalado quadro apocalíptico (recessão, desemprego e insegurança) “orquestrado”, entretanto, por “Dom Fernando II”.

O grande temor da chusma irrequieta atinha-se à funesta possibilidade de que no governo petista a quebra de contratos seria a conduta básica; a diretiva central. Outra vez, ledo engano. Não tão somente todos os contratos foram mantidos como foi alavancada uma total reviravolta em todos os indicadores macroeconômicos: a inflação está sob controle (não obstante o ligeiro processo de aceleração verificado nos últimos meses como reflexo direto do excesso de demanda provocado pelo crescimento econômico); o sistema de câmbio flutuante recuperou a consistência, com o dólar oscilando sempre algo em torno de 1,5 e 1,8 reais (correta política de valorização da moeda nacional, cujo princípio consiste em estimular os agentes econômicos a aumentarem seus índices de produção e competitividade); a taxa de juros básicos baixou para os significativos 11,75%, podendo ser diminuída ainda mais caso os níveis de produtividade do mercado interno aumentem (o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, tem como proposta central estimular esse processo, através de melhorias substanciais de infra-estrutura); o risco-país diminuiu para menos de 200 pontos, levando, pela primeira vez, o Brasil ao chamado grau de investimento (Investment Grade – condição de baixo risco de crédito externo); a economia voltou a crescer gradativa e sustentavelmente, o que é mais importante (até o final do ano, algo entre de 5% e 6%).

Todos esses expressivos resultados só foram possíveis graças a um conjunto de ações governamentais gerido de maneira séria, eficaz e articulada. Por outro lado, a capacidade de negociação e, ao mesmo tempo, a firmeza do governo em relação aos seus próprios compromissos dogmáticos acentuaram, de modo geral, uma forte sensação de credibilidade em meio à opinião pública.

Como podemos perceber, a conjuntura econômica atualmente consolidada é muito diferente do funesto cenário de imolação previsto pelos incautos “profetas do apocalipse”.

 

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Escrito por JRMarques às 5:23:08 AM
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Definitivamente a violência está na "moda". Ocupou espaço, obteve destaque em todas as "mídias". Presente em todas as falas, em todos os textos - e subtextos -, contaminando imagens, cenários, arraigou-se no inconsciente coletivo. Tornou-se parte "inalienável" do dia-a-dia: respiramos violência, processamos os seus funestos insumos, transformando-os em alimento de "mais-violência". Contudo, alguém já se deteve diante da necessidade vital da reflexão acerca de suas possíveis origens?

De modo geral, quando o assunto vem à tona, alguns pressupostos clássicos, imediatamente, são levantados: miséria, crescimento urbano desordenado, gestão ineficaz das questões públicas, concentração de riquezas em parcelas diminutas da sociedade, traço essencial característico do lado mais obscuro e primitivo da índole humana, e por aí continua. No entanto, se pensarmos bem - não obstante a procedência lógica de tais argumentos -, perceberemos, com relativa facilidade, seu caráter superficial; meramente periférico.

Sem dúvida, indivíduos privados do mínimo necessário à manutenção da dignidade humana podem assumir atitudes extremadas. Entretanto, como explicar a violência extrema praticada, por exemplo, por jovens oriundos das camadas mais "elevadas" da chamada pirâmide social? Muitas vezes, não apenas em decorrência de anomalias; patologias psíquicas. Mas por "esporte", "diversão", ganância ou simples crueldade: indigentes queimados vivos na calada da noite - ou não! - em plena praça pública, colegas de escola alvejados com projéteis de grosso calibre, adolescentes que trucidam os próprios pais de maneira pusilânime e por motivos torpes, jovens casais que, ao arremessarem crianças inocentes pelas janelas dos suntuosos apartamentos de classe média alta, antes de tudo, estilhaçam nossa parca humanidade, tornando-nos indignos de sermos classificados como homens ou mulheres.

Não podemos, também, estigmatizar o "terceiro mundo" - com seus sistemas precários de gestão institucional -, com o rótulo da suprema "selvageria mundial". Seria, no mínimo, inócuo. Senão, como explicar as mais diversas e primitivas manifestações de violência, brotando ao longo da história, exatamente, naquelas sociedades consideradas mais avançadas em relação ao aspecto humano? Crime organizado, sistemas políticos totalitários (nazismo, fascismo, etc.), intolerância racial, referências comportamentais centradas em signos bélicos; armamentistas.

Por outro lado, se nossos ancestrais primitivos travavam ferrenhas batalhas, dispondo de suas próprias ossadas, hoje não ficamos muito longe dessa realidade se levarmos em conta que fomos capazes de produzir e fomentar instrumental tecnológico poderoso o bastante para aniquilar o planeta algumas centenas de vezes.

Afinal de contas, por que o "homem" é violento? Logo nos primórdios de nossa infância somos bombardeados com "toneladas" e mais "toneladas" de processos, a nos orientar segundo padrões de comportamento norteados por estímulos, concepções e valores assentados na agressividade. Ouvimos "historinhas de ninar" nas quais o "Lobo Mal", obstinado, tenta, a qualquer custo, devorar menininhas inocentes que perambulam a esmo pelas "florestas encantadas". Nossos corações são acalentados com doces cantigas cujo principal objetivo consiste em nos ensinar que devemos adormecer o mais rápido possível, caso contrário a "Cuca" virá em nosso encalço! Nossos "heróis" usam espadas, armas letais capazes de cuspir raios fulminantes, são mestres em artes marciais, especialistas na "arte" da esperteza e da malandragem.

Ora, entramos na adolescência, passamos à fase adulta e o quadro vai apenas se agravando. "Vença" de qualquer maneira. Seja o número um, tomando a melhor cerveja, fumando o melhor cigarro, acumulando polpudas contas bancárias. O automóvel torna-se uma extensão de nosso próprio corpo; sinônimo de sucesso: um verdadeiro símbolo fálico! "E não se esqueça! Carro velho pra quê?" Então, apenas um "pênis motorizado" não é mais o suficiente - e de preferência importado. "Consolide sua posição de vencedor, seu território. Compre um iate e navegue até sua própria ilha paradisíaca!". O indivíduo passa a ser governado pela necessidade de "ter". Ter cada vez mais. "Ser" torna-se irrelevante e "sentir" absolutamente desnecessário. Não importa a produção do pensamento: idéias são desprezíveis. É preciso produzir bens tangíveis, materiais. O irresistível apelo consumista - atrelado a um sentimento visceral de competição -, traz o isolamento, intensifica o egoísmo, aniquila o apreço à vida, colocando-a em segundo plano.

Em última instância, quem pratica a violência pretende impor a própria imagem. Inconscientemente, ou não, determina uma relação de poder espúria, sórdida. Em termos dialéticos, a relação de poder discricionário entre estado e sociedade, patrões e assalariados, criminosos e vítimas é basicamente a mesma. A diferença ocorre no campo da manipulação dos códigos legais ou em sua operacionalização marginal.

Sendo assim, fica bastante clara a necessidade de reverter as expectativas comportamentais vigentes. É preciso substituir esse modelo sedimentado no individualismo crônico. Os grupos humanos, não obstante as vertentes do pensamento ideológico, devem concentrar esforços efetivos direcionados à necessidade de substituir as estruturas arcaicas da supremacia, do ideal imperialista, das castas de privilegiados, por sistemas cuja orientação lógica leve em conta a cooperação ao invés da competição; a interação em vez do egoísmo.
O mundo não precisa de "reis"; de "rainhas". É tolice produzir campos de miserabilidade absoluta e, logo em seguida, invocar "heróis", salvadores da pátria. Então, quem deve ser o "mocinho"; quem deve ser o "bandido" da história?!

 

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