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Escrito por JRMarques às 4:50:10 PM
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Lembram-se da campanha eleitoral referente ao primeiro mandato do presidente Lula? Naquela época, inúmeras personalidades vieram a público assumindo posturas alarmistas e, em alguns casos, até um tanto “exóticas” (figuras “proeminentes”, celebridades tradicionais). Talvez, o notório exemplo da atriz Regina Duarte – então, a verdadeira “musa” do apocalipse! – seja o mais ilustrativo e cabal. A uma certa altura do acirrado debate, com a iminente vitória de Lula, eis que surge nas telinhas o rosto angelical e anacrônico da “ex-namoradinha do Brasil”, vociferando o mal augúrio: a fatídica chegada da “grande besta”, o “anticristo” que, certamente, levaria o país ao caos econômico e social, à bancarrota absoluta e sem retorno. De fato, a competente atriz perdera uma excelente oportunidade de aderir ao silêncio democrático. Contudo, madame Duarte não estava isolada. Sua voz integrava um grande e equivocado coro formado basicamente por adversários políticos, “grandes empresários”, banqueiros e latifundiários. Posteriormente, é claro, os fatos se incumbiriam de colocar por terra cada uma de todas aquelas lúgubres previsões.

Vejamos, então. Ao tomar posse, Lula se deparou com o seguinte cenário “presenteado” por Dom FHC: o chamado risco Brasil (risco-país – critério de aferição que reflete a percepção de segurança que os investidores externos têm em relação a um país) beirava o temerário patamar dos 2.500 pontos; a inflação estava fora de controle; a taxa de juros básicos chegara aos incríveis 26%; a política de câmbio flutuante, então vigente, tornara-se ambígua, com o dólar se aproximando à casa dos 5 (cinco) reais. Ora, aí estava o tão propalado quadro apocalíptico (recessão, desemprego e insegurança) “orquestrado”, entretanto, por “Dom Fernando II”.

O grande temor da chusma irrequieta atinha-se à funesta possibilidade de que no governo petista a quebra de contratos seria a conduta básica; a diretiva central. Outra vez, ledo engano. Não tão somente todos os contratos foram mantidos como foi alavancada uma total reviravolta em todos os indicadores macroeconômicos: a inflação está sob controle (não obstante o ligeiro processo de aceleração verificado nos últimos meses como reflexo direto do excesso de demanda provocado pelo crescimento econômico); o sistema de câmbio flutuante recuperou a consistência, com o dólar oscilando sempre algo em torno de 1,5 e 1,8 reais (correta política de valorização da moeda nacional, cujo princípio consiste em estimular os agentes econômicos a aumentarem seus índices de produção e competitividade); a taxa de juros básicos baixou para os significativos 11,75%, podendo ser diminuída ainda mais caso os níveis de produtividade do mercado interno aumentem (o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, tem como proposta central estimular esse processo, através de melhorias substanciais de infra-estrutura); o risco-país diminuiu para menos de 200 pontos, levando, pela primeira vez, o Brasil ao chamado grau de investimento (Investment Grade – condição de baixo risco de crédito externo); a economia voltou a crescer gradativa e sustentavelmente, o que é mais importante (até o final do ano, algo entre de 5% e 6%).

Todos esses expressivos resultados só foram possíveis graças a um conjunto de ações governamentais gerido de maneira séria, eficaz e articulada. Por outro lado, a capacidade de negociação e, ao mesmo tempo, a firmeza do governo em relação aos seus próprios compromissos dogmáticos acentuaram, de modo geral, uma forte sensação de credibilidade em meio à opinião pública.

Como podemos perceber, a conjuntura econômica atualmente consolidada é muito diferente do funesto cenário de imolação previsto pelos incautos “profetas do apocalipse”.

 

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