:: destaques  no ponto de vista!

mais bem visto com o Internet Explorer 7,8...


Escrito por JRMarques às 1:30:18 PM
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

BlogCharge :: clique na imagem para ampliar
    clique na imagem para ampliar   

É curioso como determinados temas tornam-se de domínio público num dado momento e, no instante seguinte, são absolutamente esquecidos como se jamais tivessem constituído o item essencial das pautas midiáticas: as batalhas descomedidas pela conquista de audiência, pela venda de jornais e revistas; o negócio, a indústria da informação transformando, muitas vezes, temas de vital relevância em banalidades, mexericos diuturnos, assunto para os já tradicionais folhetins televisivos especializados na incrível arte do inepto e dantesco. É dessa maneira que temas essenciais, como globalização e aquecimento global, recebem tratamento idêntico ao do capítulo do dia da novela da moda ou de uma partida de futebol. Entre um copo de cerveja e uma porção de salaminho, a turba embevecida pela hipnótica emissão de raios catódicos (ou sinais digitais) saboreia os efeitos da globalização no mundo subdesenvolvido; deglute a iminência da aniquilação do planeta por “um tal de buraco na camada de ozônio”; e, no final do dia, no final das contas, acaba voltando para casa, sonolenta, letárgica, pronta para começar tudo de novo e consumir mais um inebriante modismo.

Há muito tempo, globalização deixou de ser o tema da moda; hoje, o mais politicamente correto, o mais sofisticado é falar sobre “aquecimento global”. Certamente todos já devem ter ouvido ou até mesmo pronunciado, exaustivamente, ambas as expressões. Contudo, tema exaurido ou tema vigente não representam lucidez, esclarecimento. De sorte que, descartar um assunto transformando outro em moda é tão ou mais nefasto e prejudicial quanto a mais absoluta alienação. Quando refletimos sobre o aquecimento global, direta ou indiretamente, estamos falando, também, sobre globalização; os temas são correlatos. A chamada revolução industrial, cerne do processo de globalização econômica, é, também, o âmago, a causa primeira da devastação do meio ambiente, e, por conseguinte, fator determinante das anomalias verificadas no efeito estufa e conseqüente aquecimento global. Percebe-se, portanto, a inexorável relação entre os temas. Porém, não cabe aqui aprofundamento acadêmico sobre tais questões. Interessa-nos examinar a quantas anda o Brasil dentro desse contexto.

A rodada de Doha, reeditada em Genebra, Suíça (21 de julho de 2008), é um exemplo cabal de como o país deve manter-se atento à questão da importância da consolidação do conceito de blocos econômicos. Criada em 2001, durante a quarta Conferência Ministerial da OMC, na cidade de Doha (Qatar), a série de negociações tem como suposto objetivo promover a liberalização do comércio mundial. Contudo, após 13 tentativas, em 7 anos de intensas negociações, o sentimento é de fracasso; a tal liberalização do comércio entre o “mundo desenvolvido” e o “mundo subdesenvolvido” não saiu do papel e, ao que tudo indica, jamais sairá. E não sairá porque, pelo visto, as principais lideranças do chamado Terceiro Mundo (países subdesenvolvidos ou emergentes) não desenvolveram a devida percepção de que não é possível negociar com aqueles que detêm a hegemonia econômica de forma isolada ou desarticulada. O Brasil, pela legítima liderança conquistada a partir do esforço de consolidação do Mercosul nos últimos anos – sobretudo com a extrema capacidade de composição e negociação do presidente Lula – passou a exercer, também, um papel preponderante nessas negociações. Entretanto, em Genebra, lamentavelmente cometemos um erro de apreciação estratégica sob a condução do ministro Celso Amorim. Ao tentar, de maneira desarticulada, negociar a questão das salvaguardas agrícolas com lideranças norte-americanas, Celso Amorim acabou causando um clima de desconforto e constrangimento entre seus pares do mundo subdesenvolvido. Não podemos, jamais, esquecer que o Brasil ainda é um país pobre e subdesenvolvido. Decerto o país cresce, mas a globalização econômica também; e cada vez mais feroz, com os mesmos paradigmas, com os mesmos propósitos espúrios: as grandes corporações econômicas internacionais e o chamado mundo desenvolvido sempre em absoluto primeiro plano. Quanto a esse aspecto, ninguém deve ter a menor sombra de dúvida. Portanto, qualquer negociação no âmbito do comércio internacional deve ocorrer impreterivelmente em bloco – por mais elementares que sejam as questões. É dessa maneira que agem os países desenvolvidos: em situações decisivas, alinhamento absoluto; nenhum integrante do chamado G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Rússia como convidada) jamais negociará unilateralmente, por exemplo, com o Brasil ou com a China.

Desse modo, se partíssemos do princípio de que hoje o mundo se divide, basicamente, em países desenvolvidos e subdesenvolvidos (lembrando que emergentes também são subdesenvolvidos), perceberíamos que o conceito de "globalização", desde suas mais importantes vertentes conceituais e filosóficas, apresenta lacunas estruturais de proporções incomensuráveis. Muitos levam em conta o pressuposto de que o "fenômeno" da globalização não passa de um evento de caráter exclusivamente econômico, sem nenhuma conotação ideológica. Sem dúvida, tal apreciação segue uma linha de raciocínio lógico procedente. Contudo, seus defensores esquecem de considerar um ponto tão óbvio quanto relevante: globalizar constitui, por outro lado, um processo econômico engendrado segundo padrões metodológicos e organizacionais concebidos no "epicentro" da cartilha neoliberal. Portanto, a conotação ideológica é “endêmica”, inelutável.

Por outro lado, se ao dissermos globalizar pretendermos, efetivamente, aludir a algum tipo de processo ou ciclo cuja finalidade principal constituiria na promoção de um intercâmbio comercial razoável e justo no mundo das corporações, proporcionando oportunidades equivalentes de progresso para grupos diferentes em diferentes partes do planeta, então estaremos nos referindo a qualquer lugar, menos ao bom e velho planeta Terra.

Como esperar que intercâmbios irrestritos de mercados – apreciando no mesmo patamar, por exemplo, grandes corporações multinacionais e empresas do Terceiro Mundo – venham a ser implementados com o devido sucesso? Como podemos imaginar que empresas genuinamente brasileiras tenham chances absolutamente iguais na concorrência direta com empresas norte-americanas, asiáticas ou européias? Considerando o modelo vigente de relacionamento entre os países, com a irresistível tendência à imposição das mais diversas formas de fronteiras – políticas, territoriais, culturais, filosóficas, ideológicas, étnicas –, tratar-se-iam, no mínimo, de elucubrações falaciosas tentativas de consubstanciar tais axiomas.

A globalização dos mercados, é sempre bom ressaltar, constitui um fato irreversível. Contudo, devemos manter em mente a necessidade imperiosa de produzir novos “insumos” e estímulos culturais; novas sementes de conhecimento desprovidas de vícios dialéticos, capazes de contribuir, de maneira decisiva, no sentido de arrefecer, de atenuar as barreiras que distanciam nações "desenvolvidas" de nações "subdesenvolvidas".

Do modo como a questão tem sido colocada, globalizar pode parecer apenas mais um desses planos estratégicos articulados pelas grandes economias com o objetivo de garantir mercados futuros, prevenindo-se contra supostas "ameaças" de grupos oriundos das chamadas economias "emergentes". O Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul), fortalecido e realmente implementado, surge nesse panorama como uma saída viável, objetivando garantir um maior e mais efetivo poder de barganha na hora do "corpo-a-corpo", no momento exato em que as ferozes contendas comerciais entre os países são impiedosamente travadas.

Devemos, também, ser bastante realistas em relação às demais zonas internacionais de "livre-comércio". O clássico exemplo do embate comercial ocorrido há alguns anos entre Brasil e Canadá – o suposto caso das "vacas loucas" –, ofereceu uma medida razoavelmente clara a respeito do modo como as economias do Cone Sul ainda são vistas e tratadas, no plano das relações comerciais e econômicas, pelo Primeiro Mundo. Sendo assim, alimentar expectativas otimistas de inserções tranqüilas de economias sul-americanas em organismos como o Nafta (North American Free Trade Agreement - Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) e ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), com efeito, constituiria um posicionamento um tanto inócuo e temerário (graças à política externa ousada, soberana e eficaz do governo Lula, pelo menos por enquanto estamos livres da ALCA, convém lembrar).

De fato, seria uma absoluta bobagem supor que governos norte-americanos (George Bush, Barack Obama, John McCaine – pouco importa) estariam dispostos a abdicar de sua histórica postura protecionista em favor do "bem-estar" das nações "terceiro-mundistas". Ou será que alguém acredita que organismos como Nafta, ALCA e CEE são criados com outros objetivos senão os de manter e consolidar a atual ordem geopolítica internacional? Ou será que alguém ainda acredita que globalização não é sinônimo de estratégia econômica e comercial sedimentada em paradigmas ideológicos neoliberais?

Quem lê jornais e revistas – filtrando, é óbvio –; quem se mantém atento às declarações de lideranças empresariais e políticas – nos planos interno e externo –; enfim, quem está vivo, respirando e pensando não corre o risco de embarcar nesse fantasmagórico "trem-da-alegria". É preciso, portanto, fugir do modismo dialético: a globalização está aí, a pleno vapor; aquecimento global não é moda, é fato; buraco na camada de ozônio não é um “nome” esquisito ou engraçado, pode ser a causa da destruição do planeta. O Brasil cresce, mas crescem, também, os interesses contrários ao nosso desenvolvimento. Portanto, a atenção tem que ser redobrada.

 

 topo da página




BlogCharges | O pescoço do mundo | Fórum planeta
 





Quem são os
responsáveis pelo
buraco na camada
de ozônio?
Estados Unidos
Europa
China
Brasil
Outros...
Votar   resultado parcial


Sua opinião
Dê uma nota para
meu blog








Outros sites
 Carlos Minc
 Paulo H Amorim
 José Saramago
 Saramago Entrevista
 Roda viva
 Provocações
 PAC - Brasil
 Graciliano Ramos
 Fórum social mundial
 Greenpeace Brasil
 Mário de Andrade
 Carlos Fernando
 Oswald de Andrade
 Leon Tolstói
 Manos e minas
 Fernando Pessoa
 Marcel Proust
 João C M Neto
 Clarice Lispector
 José Saramago
 Euclides da Cunha
 Ariano suassuna
 Releituras
 Darcy Ribeiro
 O povo brasileiro
 Pensar e concluir II
 Pensar e concluir I
 Fiódor Dostoiévski
 Observatório Impr
 Carlos Drumond
 Carlos Prestes
 João Guimarães Rosa
 Café filosófico
 Machado de Assis
 UOL - Folha
 BOL - E-mail grátis
 Chico Anysio
 Jornal de Poesia
 Tradutor On Line







©Todos os direitos reservados


Ótimo sistema de tradução
 On Line do site e.educacional