Quem acredita em anjos,
silfos, gnomos, guias?
Presenças amigas, insólitas;
reconfortantes, enigmáticas...
“Eu não creio nas bruxas,
mas que elas existem, existem”.

Quando tudo parece perdido,
surgem novas interrogações.
Todos procuram a felicidade,
mas procuram-na nas respostas:
buscam no lugar errado.
Quero as perguntas;
as questões mais agudas e afiadas.
Desafios filosóficos são neurônios
a alimentarem meu cérebro.

Quando chegar meu trem,
pedirei um avião...
Só para ter o gostinho de saltar sem pára-quedas
e, novamente, fincar raízes.
Até que, num belo e ignoto dia,
surjam novas perguntas.

Mente em chamas,
um vulcão entrou no meu peito
e fez pulsar veias, artérias...
O sangue transformou-se em lava incandescente.
Todos andam; nem todos caminham.
De qualquer forma,
o destino sempre será o trem.

 

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conto

Quando era criança, matreiro, costumava invadir o quintal do vizinho para pegar goiabas, limões ou, simplesmente, para experimentar a indescritível sensação de “poder”; poder ir além, ultrapassar os limites do mundo adulto; poder ignorar regras enfadonhas; poder apenas.  

Numa dessas incursões, certa vez, pegou o galho de uma árvore. Somente um irrisório galho de árvore. Levou-o, cuidadosamente, para casa e resolveu colocá-lo dentro de um pote de maionese com água, mais ou menos, até a metade. Em princípio, não tinha nenhum propósito; era apenas um gesto não calculado, aleatório. Logo em seguida, depositou o recipiente com a água e o râmulo na janela da cozinha; talvez porque ali fizesse bastante calor, ou porque era arejado, bem alumiado. Pouco importava; não havia razões, procedimentos orientados pela lógica, métodos ou quaisquer outros instrumentos de normalização típicos de gente grande. 

Contudo, rapidamente, esqueceu-se do ignoto episódio e voltou à preponderância exuberante da protagonista meninice. Bolinhas de gude, estilingues, guerras de mamona, peladas nos campinhos de terra amassada: cronômetros naturais a contar a passagem do tempo, alterando percepções, mudando o entendimento. E foi assim que, de brincadeira em brincadeira, um dia, lembrou-se do pote, da água e, claro, do singelo râmulo.  

Na cozinha, ao olhar em direção à janela, notou que alguma coisa estava diferente; nada de errado ou esquisito, apenas diferente. Ali, na beirada da janela, não estava mais um simples galho de árvore; várias raízes haviam brotado e ramificado. Ficou surpreso! A visão daquelas incipientes e alvacentas raízes impressionaram-no. Afinal, era criança. Tenra idade, não tinha a menor idéia de que os vegetais eram capazes de se “auto-ramificar”; não daquela maneira, não dentro de um modesto pode de maionese... Com água até a metade. 

Era a vida brotando; e como poderia saber que a vida era capaz de produzir raízes? Como poderia saber que a vida pode se multiplicar, alterando sua própria configuração, sua própria estética? Nem tão pouco poderia conceber que o mundo precisava de raízes; que o mundo inventava e, ferrenhamente, apegava-se às suas próprias raízes, imaginárias ou reais. Não sabia que raízes podem engrandecer a alma, mas, também, podem aprisioná-la. E, a despeito de tão absolutamente arrebatadora constatação, as raízes nascem, crescem e morrem; e continuarão crescendo até se exaurirem, tal e qual o bicho-homem. 

Então teve uma idéia: tirou o galho do pote e foi plantá-lo no quintal da modesta casa onde morava. Contudo, era criança; tinha que retornar às rotineiras criancices: bolinhas de gude, manonas, estilingues, peladas... O cronômetro natural era inelutável, circunspeto e implacável.  

Certa ocasião, porém, perseguindo uma tarântula gigantesca foi parar no quintal; o mesmo quintal onde, tempos atrás, plantara o galho de árvore. Assim, novamente, defrontou-se com o fenômeno da mudança. O que, antes, fora râmulo transformara-se, agora, em árvore; e a árvore crescia, crescia... De tal modo vertiginoso, a causar deslumbre.  

Os tempos eram difíceis; a ditadura militar impunha restrições, agruras. Mas, crianças são imunes ao vírus da política. O menino e seus amigos não sabiam, não precisavam saber nada sobre idiossincrasias de gente “mal-crescida”. Apenas sentiam que era difícil e, muitas vezes, doloroso crescer. Era difícil ser criança; viver como criança num mundo adulto atormentado com problema inventado de adulto. Portanto, presenciar o refulgente momento de transformação do singelo râmulo em árvore sólida a reafirmar o inexorável espetáculo da vida, trouxe-lhe novas percepções. Inadvertidamente selara-se uma espécie de pacto de amizade entre o matreiro menino e aquele velho galho de árvore; um pacto mudo em que o saber era a senha e o conhecimento diuturno e gradual as inestimáveis oferendas. 

A árvore continuaria crescendo. Transformar-se-ia num frondoso pinheiro. O menino descobriria que somos como galhos dentro de um pote de maionese. Um dia cresceremos, produziremos nossas próprias raízes; desesperadamente, então, buscaremos saídas, caminhos ou atalhos que nos levem ao topo do pote. No entanto, o mistério sempre residirá na corda bamba das experiências cotidianas. Nunca saberemos ao certo quando fincar ou extirpar raízes. Se tivermos sorte, experimentaremos sensações relativamente claras de como parar ou como recomeçar.  

Na verdade, sei apenas que a mente precisa de expansão. Em algum momento, o pote de maionese tem que se transformar na “lata do poeta”, e, ali, a alma deverá brotar e ramificar-se até o grande infinito.

 

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pensamentos
 
}É na fria noite; noite recôndita, que,
lânguido, vislumbro invisíveis aliados, a
sibilar murmúrios intangíveis;
impagáveis pensamentos
~
 

É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos
é preciso, mas é para nós desejável.
O que é doença é desejar com igual
intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão

 

Fernando Pessoa
(Bernardo Soares)

 

Começamos oprimidos pela sintaxe e
acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos
estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei,ainda nos podemos mexer

Graciliano Ramos

 

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio um pouco ficou, um pouco nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem

Carlos Drummond de Andrade

 

Assim são as páginas
da vida, como dizia
meu filho quando fazia versos, e acrescentava que as páginas vão
passando umas sobre as outras,
esquecidas apenas lidas

Machado de Assis

 

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espírito livre, aprisionado

As ladeiras são íngremes,
escarpadas: difícil subir;
muito fácil escorregar.

Correntes, segurando os pés,
dificultam os movimentos.
Estatelados no último degrau
apagou-se da memória
a lembrança do primeiro passo.

Quantos passos
são necessários
até chegar ao nada?
Qual o melhor caminho
para a ilha do nenhures?!

Inóspitas plagas,
cruentas trilhas,
cativantes são
os funestos ventos,
querendo fazer companhia.

Silvos, gritos,
folhas secas no outono:
- "Bons presságios!"
A vida quer pagar
ou cobrar um ágio?

Fique atento
ao sinal de trânsito.
O sinal verde
está no calabouço.
Não fuja dos compromissos,
honre a bandeira aviltada,
assinando a carteira.
Pague as dívidas
antes da aurora boreal.
Talvez amanhã
o espírito livre
esteja aprisionado.

 

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o tempo e a pedra

O tempo é vivo.
O tempo é denso.
O tempo fala.
O tempo abala.

A pedra, insossa,
desnuda e conformada,
estacionada no caminho,
é vítima predileta do tempo: lento!

O tempo incomoda a pedra.
O tempo arrasta a pedra, arrancando-lhe as raízes.
Sacode e desnorteia-lhe o conformismo.
Implacável, o tempo urge: o tempo ruge!

A pedra ...
A pedra indefesa, não resiste
à força avassaladora do tempo: lento?!
Rola ladeira abaixo
e se esconde atrás d'alguma escada.

Mas o tempo, lento,
o tempo violento,
o tempo apressado,
o sedento tempo,
é obstinado e cruel.
Persegue a pedra.
Descobre a pedra debaixo da escada
e, então, ei-lo novamente, arrastando a pedra,
desnudando a pedra,
revelando a pedra,
atormentando a pedra.

A pedra ...
A pedra indefesa, não esboça reação alguma.
À pedra, em sua insignificante realidade de pedra,
não cabe reações: imobilismo de pedra,
alterado apenas pela força de vento
que o tempo tem.

Contudo, o destino da pedra se cumprirá.
De maneira que terá encerrado sua missão,
o tempo algoz;
o feroz tempo.

A pedra, agora, está calma.
Esboça, até, uma centelha d'alma.
A pedra aguarda na fila do grande nada,
que tudo encerra, um novo tempo.
Um tempo novo de pedra.
Mas, na esquina dos ventos,
o tempo estará à espreita da pedra.

 

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espelho eletrônico

Sei que as flores não nascem no asfalto - mesmo porque não tenho a pretensão de ser
jardineiro no inferno.
Além disso, por que engendrar tamanha crueldade?!
Não quero, contudo, falar das flores.
Elas não me fizeram nenhum mal ...
As palavras me interessam.

Esperança.
É uma palavra boa; soa bem.
Gosto de pronunciá-la.
Nascido no asfalto,
não tenho motivos pra esperanças.
Mas espere um momento!
Se nascer no asfalto é prerrogativa das flores crédulas, sou uma ímpia flor: exijo, pois, meu quinhão de esperança!

Pensamento, idéias ...
São palavras também; podem ser tão eloqüentes
quanto a bala de um fuzil.
Tudo acaba virando moda nas correntes
do pensamento discricionário.
As idéias são como serpentes.
Quem terá o antídoto
para o veneno injetado?

Fardas.
Palavra sinistra.
Sinistros artefatos do passado.
Lembrar as fardas virou moda na boca daqueles
que imaginam ter o dom da palavra.
Quem sangrou? Quem foi desterrado?
Músicos, políticos, atores ...
Decerto!
Esqueceram de mencionar, entretanto,
a legião dos miseráveis.
Os massacrados,
inconscientes e alienados.
Embaixo das pontes, dos viadutos.
Dentro dos barracos.
Na periferia: nas casas de alvenaria!
Nos apartamentos mal-acabados;
aleivosas armadilhas que balançam ...
balançam e caem!
Nas repartições,
malbaratando no transporte coletivo.
Ternos amarrotados,
vidas atoladas em dívidas ...
Estão em todo canto!
Mentes ensangüentadas.
Almas desterradas.
Ouço seus gritos no silêncio.
Quem lhes concederá a anistia?!
Turba sequiosa de palavras.

Especialistas do silêncio,
nem mesmo Graciliano bebeu tanto
na amarga fonte da angústia.
Vidas Severinas combalidas por Maquiavel.
Não queiram ensinar aos mestres da dor
onde arde o ferimento.
Hoje as cicatrizes escondem as mazelas.
O espelho eletrônico comercializa a sujeira.
Ávidos consumimos tudo sem tirar a embalagem.
O que fazer quando a dor despertar,
cobrando sua dívida?!

Provocar...
É uma palavra. Também é um verbo.
Eu provoco. Tu fazes provocações - que também
é uma palavra e um substantivo.
Feminino substantivo,
transexuais palavras!
As palavras podem ser substantivadas,
abjetas; contundentes objetos, esmagando
cabeças incautas.
O espelho eletrônico, refletindo nossa
imagem aprisionada, reina absoluto.
Quero provocá-lo.

Acordem anarquistas deslumbrados!
Será que as fardas maquiavélicas
venceram a guerra?
Quinhentos anos de história,
construindo apenas mais uma filial do inferno?
As flores têm que brotar do asfalto.
Ou isso, ou nossas almas
irremediavelmente pavimentadas.

 

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talvez

Talvez eu seja o filho bastardo
que veio reclamar a herança.
Não esconda a prataria,
deixe os cristais à vista
onde ninguém veja.
Não se esconda,
não esconda o rosto.
Não esconda o ouro!
Não existem tesouros ocultos,
esconderam a ilha onde os tesouros
foram descobertos. Fique alerta.
Não existem tesouros!

Queime os papéis,
depois apague o fogo
pra não ter prejuízo.
Os papéis são importantes;
eles encerram os números.
Não esqueça o número,
não seja invisível.
Não esqueça o papel,
não seja inútil.
Os números são relevantes;
eles resumem sua vida.
O papel é a chancela
na previdência social.

Levante do sofá,
destrua o sofá.
Rebele-se. Fuja do sofá.
Ele é sua prisão
onde o rosto se ilumina, translúcido,
com os raios catódicos.
Seja um vencedor,
compre logo um carro
em sessenta suaves prestações
reajustáveis.

Vença o inimigo.
Destrua o vizinho,
compre uma casa
e invente um número.
Entre na casa vazia,
mas não esqueça o sofá.
Ele é seu refúgio; sua garantia,
o vizinho não oferece perigo:
está preso em outra sala,
sentado no próprio sofá.

Digite um currículo,
não esqueça as multinacionais.
Elas não irão admiti-lo,
mas ficarão muito gratas.
Sirva à família. Sirva o exército.
Sirva sua esposa. Sirva seu marido.
Seja um vencedor,
freqüente a faculdade
e pegue o diploma.
A moldura na sala,
onde está o sofá,
ficará envaidecida!

Não deixe intacto o viaduto,
seja engenheiro.
Derrube o edifício,
seja arquiteto.
Solte o criminoso,
seja advogado.
Ame a saúde,
não seja médico!
O país ficará grato,
pagando o aluguel.

Viva o presente,
esqueça o passado,
não tema o futuro,
a companhia de seguro
proverá seu funeral.
O Brasil é filho bastardo,
reclamemos a herança!

 

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degraus

Quantos degraus tem a escada
na qual jamais subirei?
A tarefa é árdua.
A subida é íngreme,
não vale a pena o esforço.
É mais fácil descer
a rampa da hostilidade.
A vida é um vilarejo repleto
de traiçoeiras ladeiras onde
esqueceram de construir escadas.
O sol não alcança o topo do morro,
não ilumina as janelas
da pousada do alvanel.
Seus raios regozijam ao invadir
a luxuosa cobertura.
Porém, o andaime é frágil,
o corpo ágil pode cair.

Qual o preço da vida?
Ninguém consegue comprar
uma barra de ouro no supermercado.
Jamais vi um diamante
exposto na feira livre.
O príncipe fugiu da favela,
levando a coroa pejada de rubis.
Na praia de Copacabana, foi assaltado
enquanto tomava água-de-coco.
Arrastões não dão lucro.
Blefes valorizam ações
na bolsa de valores.
Os prédios não têm chaminés,
mas exalam fumaça.
Quero sair do carro
pra enfrentar o trânsito.
O sinal está fechado,
impossível andar.
O mundo é um "saco"!

 

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em parte alguma

Vozes ecoam no silêncio,
vozes ecoam na fumaça.
A mão firme foi talhada para
sustentar o mastro.
Mas o lastro é frágil,
a cabeça não agüenta.

Ouvi o grito do silêncio.
Paredes, móveis;
móveis paredes!
Teto desabando,
cortinas aflitas submersas
no implacável silêncio.

Um clamor surdo
fugiu da garganta,
abrindo a janela.
Inútil: multiplicou o silêncio.
Os becos dos maníacos,
as vielas dos alucinados,
os cruzamentos das
obtusas ocas de metal.
Cantos da alienação
orquestrados pelo jugo
do silêncio.

Apitos, buzinas,
faróis, neônio.
Almas armadas
até os dentes!
Caí da janela.
Na calçada,
trespassou-me o transeunte
como se fosse um fantasma.
Concreto desarmado;
cemitério urbano.

Tempo exíguo,
pífio tempo,
sem alento.
Inexoravelmente lúcido,
quero uma pedra.
É preciso quebrar as vidraças
das janelas distantes
e lacradas!

 

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ministério da vida

Olhos abertos,
observando o empoeirado teto.
Braços esticados,
carregando o bocejo.
Cheiro de café,
mesa posta - façam
suas apostas!
Dentes escovados.

Palavras doces,
ásperas palavras.
Olhares ternos,
agressivos olhares.
A volúpia,
o marasmo;
a certeza do seguro porto
no final da noite.
A certeza da pele
ardendo noite adentro.
O fascínio da aventura
a cada segundo renovada.

Sofrer,
verbo conjugado
na primeira pessoa
do singular.
Viver,
verbo conjugado
na primeira pessoa
do plural.
Vida plural.
Morrer a cada perda.
A cada reencontro nascer.

- O ministério da vida adverte:
"Viver faz bem à saúde!"

 

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cálice noturno

O vento é o sussurro da noite;
voz do silêncio que faz companhia.
Som mudo na voz do vento,
noite surda, chuva:
murmúrios de sangue
transborda dos pensamentos.
Vento ...

Vento amigo,
caridoso; ruidoso vento,
derrama do cálice
o som impiedoso
da melancolia.
Transborda do cálice noturno
o amargo fel dos vãos lamentos.
Vento ...

Noite surda,
almas mudas,
úmidos corações:
pele ardendo!
Acaricia-nos
vento ...

Vento que transcende a história,
movendo moinhos;
que ilumina a imaginação,
arrancando lágrimas das montanhas,
preencha o silêncio
do revolto mar:
acaricia-nos lascivo
vento!

 

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amar é gratuito

É tão bonito.
Amar é gratuito,
tal como essa rima.

Amar sempre acalma,
acalento da alma:
- "É gratuito!"

Saga hostil,
onde tudo se paga,
o amor não remunera
mas enriquece;
afaga.

Rima gratuita,
vida paga em
modestas prestações.
Fique longe dos brinquedos:
seja amigo dos banqueiros!

Como foi dito,
amar é gratuito...
ao menos por enquanto.

 

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